Emmanuel Mounier (1905-1950) e sua filha Anne

Espaço para difusão da filosofia personalista de Emmanuel Mounier e para ponderações de vários temas importantes, tendo como referência essa perspectiva filosófica.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Diálogo personalista com as questões contemporâneas


Toda conceituação filosófica é fruto da busca de respostas a problemas que surgem ou que são reavivados. Na ânsia de solucionar os problemas, escolas ou filósofos sistematizam ideias que vão de encontro aos problemas levantados.

O movimento filosófico personalista, na pessoa de vários filósofos, dentre os quais, Emmanuel Mounier, Jean Lacroix, Jean-Marie Domenach, dentre outros, surgiu, também, como tentativa de responder as questões que se levantavam na ambiência histórica e social em que estava inserido. Diferente das demais escolas de pensamento da filosofia personalista não foi formatada em uma estrutura rígida de ideias, sistematizadas e fechadas em conceitos deterministas.
Emmanuel Mounier e os demais filósofos personalistas participantes do círculo da Revista Esprit, construíram um sistema filosófico, por mais paradoxal que pareça, sem as tradicionais sistematizações enrijecidas, conceitos fechados e estruturas rígidas. Com esse modelo flexível, os filósofos personalistas procuraram dialogar com as filosofias que se mostraram relevantes, principalmente o marxismo e o existencialismo. Foi neste caminho que se deu o diálogo personalista com as questões que se levantaram na Europa do pós I Grande Guerra e pré/ meados e pós II Grande Guerra Mundial.
A aproximação com os dois maiores pensamentos da Filosofia do Ocidente Contemporâneo, a saber, o marxismo e o existencialismo, se deu justamente porque tratavam das questões do homem enquanto participante da existência, sendo que a questão que se levantava, era a crise da civilização humana contemporânea engendrada pela crise dos valores, e por consequência, a crise da pessoa humana. Se preocupando com o homem enquanto sujeito existente, as filosofias marxistas e existencialistas tinham muito a colaborar com os pensadores que buscavam o diálogo com a finalidade de lutar contra a crise que se agigantava engendrada, pelo o que Mounier tratou como: desordem estabelecida.
O diálogo então se deu nos termos personalistas, com acolhimento e afrontamento. Isso significa que o diálogo era efetivo, e como tal, nem todas as posturas e colocações eram aceitas e nem todas rejeitadas. O personalismo acolheu a chamada de atenção do existencialismo e do marxismo em relação ao esquecimento do homem existente, do homem do devir, por parte das demais filosofias, mas afrontou a postura demasiadamente materialista, que reduziam o homem e eliminava a sua possibilidade de transcendência, e no caso,mais especificamente do marxismo, além do apego exagerado ao materialismo em detrimento as questões espirituais/metafísicas, a valorização da ação coletiva, em detrimento a ação do homem como pessoa humana e de suas escolhas pessoais.



Ainda hoje o diálogo personalista com a realidade que nos cerca deve ser baseado na dupla atitude de acolhimento e afrontamento. Deve-se acolher seriamente as questões e propostas que se levantam, procurando conhecê-las profundamente. A partir disso, é necessário afrontar a situação reinante que se mostra caótica, ou aquelas propostas que não trazem uma resposta adequada para o problema levantado.
Não existe no personalismo, nenhuma busca de entendimento e solução a qualquer tipo de problema, sem a construção de um diálogo com todas as partes envolvidas na ambiência do problema. A natural atitude personalista frente aos problemas frente a realidade que se constrói é a de acolhimento e afrontamento.

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*Foto: Emmanuel Mounier, Yvonne Leenhardt, Max-Pol Fouchet e Loÿs Masson em Lourmarin, em setembro de 1941.
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