Emmanuel Mounier (1905-1950) e sua filha Anne

Espaço para difusão da filosofia personalista de Emmanuel Mounier e para ponderações de vários temas importantes, tendo como referência essa perspectiva filosófica.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A Pessoa humana como primado.

A Itália está vivendo um grande drama. Recentemente um terremoto abalou o país levando mais de 270 pessoas à morte.
Em meio a toda essa tragédia, é demasiadamente enfatizado o fato de que vários monumentos históricos foram afetados. As vezes temos a sensação que a destruição dos monumentos são sentidas e lamentadas com muito mais pesar do que a perda de centenas de vidas.
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Em nosso país nos preocupamos muito com o infortúnio ou o sucesso de celebridades, ao passo que desprezamos o que acontece em nossa própria redondeza ou com pessoas mais próximas. Não nos incomodamos tanto pelo o fato de alguém que faz parte de nosso ambiente social fracassar – diferentemente, quando o fracasso atinge os ícones de nossa sociedade, por eles chegamos até a chorar ou lamentar.
Não é comum observarmos pessoas comentando e vibrando pelo sucesso de um vizinho, ou de uma pessoa socialmente simples. Mas é muito comum, encontrarmos pessoas comentando com alegria o sucesso de uma celebridade.
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Emmanuel Mounier afirmava que no personalismo a pessoa humana é o primado, sabendo que por pessoa humana, ele, como toda a filosofia personalista, entende como ser humano com toda sua complexidade – algo que se separa de títulos, posição social ou status individual. A importância desse entendimento se dá pelo fato de que, com essa percepção, jamais trataremos alguém de acordo com sua posição ou pelo status que ostenta, nos aproximaremos da pessoa pelo que ela é, ou seja, pelo simples fato de ser uma “pessoa humana”.
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Você já parou para pensar que a atitude de desprezar as coisas comuns indica que desprezamos a simplicidade da vida?
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Percebe também que rejeitar a simplicidade é rejeitar a nossa própria condição natural?
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Entende que a preferência pelos ícones (monumentos e celebridades, etc.), em relação às pessoas comuns, é uma espécie de rejeição ao que somos, ou seja, é uma espécie de rejeição a nossa condição de pessoa comum?
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Só seremos alguém, a partir do momento em que valorizarmos mais o que somos. Se olharmos apenas para o que está distante, não perceberemos o que nos cerca. Desvalorizaremos o nosso próprio meio de convivência. Essa desvalorização já implica em uma super-valorização para as coisas que estão distante, ou seja, valorização apenas a pessoas famosas, coisas, títulos, em detrimento a pessoas e coisas simples e comuns.
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Esse costume de super valorizar os ícones (celebridades, monumentos que representam o passado, empresários, etc.), faz com que sejamos submissos. Aceitamos como normal tudo o que seja idealizado por eles.
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Precisamos urgentemente reconhecer o valor das pessoas como pessoas, colocando-as sempre em maior estima do que coisas, títulos e representações. Só assim, poderemos também nos perceber como figuras importantes para a construção de nosso mundo e de nossa sociedade. Só assim, conseguiremos enxergar o nosso real valor e o valor de nosso próximo e do nosso ambiente social. Sem esse entendimento seremos sempre figurantes na história, não passando de meros adoradores de entidades e falsos ídolos.
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Lailson Castanha
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domingo, 5 de abril de 2009

Ponderando sobre o mundo

Para ponderar sobre o mundo, primeiramente, é necessário se localizar nele. As questões inerentes ao mundo devem ser questões familiares à mente pensante.
Não pensamos e não investigamos o que nunca ouvimos falar, e, muito menos ponderamos sobre algo no qual não nos interessamos.
Para ponderar sobre o mundo, faz-se necessário se interessar pelos problemas que o envolve. É necessário se sentir participante do mundo; responsável por ele. Sem esse sentimento de responsabilidade, de interesse e de familiaridade, não há nenhuma possibilidade de praticarmos uma efetiva ponderação.

Ponderamos apenas sobre coisas e questões que nos interessam. Se não nos interessamos pelas questões que envolvem nosso mundo, alguma coisa está errada conosco. Por conta disso, devemos reavaliar nossa condição de cidadãos do mundo – se honramos ou não essa tão digna condição.
Se a resposta a essa investigação pessoal for negativa, se por acaso não honramos o tão valioso título, que dignidade teríamos então a apresentar?

. Somos o quê nesse mundo, se, por conta de nosso desinteresse em partilhar das suas questões, desmerecemos nossa cidadania?
. Que direito temos a exigir, já que somos nulos no mundo?
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Ponderações.
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- Se você se sente cidadão do mundo, faça uma ponderação sobre o seu mundo e sua condição nele.
- Se você não se sente responsável pelo mundo, reflita, e pondere sobre o porquê de sua posição.

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Lailson Castanha
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Intentamos propagar o personalismo, bem como suas principais ideias e seus principais pensadores, com a finalidade de incitar o visitante desse espaço a ponderar de forma efetiva sobre os assuntos aqui destacados e se aprofundar na pesquisa sobre essa inspiração filosófica, tão bem encarnada nas obras e nos atos do filósofo francês, Emmanuel Mounier.

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