Emmanuel Mounier (1905-1950) e sua filha Anne

Espaço para difusão da filosofia personalista de Emmanuel Mounier e para ponderações de vários temas importantes, tendo como referência essa perspectiva filosófica.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O despertar personalista.

A Filosofia Personalista, em sua matriz francesa, se desenvolveu vigorosamente através do esforço de Emmanuel Mounier e demais filósofos, posteriormente chamados de personalistas, em buscar respostas para a questão da crise da pessoa humana na atual civilização – considerada por Mounier como civilização da desordem estabelecida – onde as coisas, os negócios, e o coletivismo são mais valorizados do que a pessoa em sua integralidade. Como alguns filósofos, eu também fui despertado por essa questão.
O despertamento personalista não encerrar-se no ato de despertar, no ato de perceber. A ação deve ser o ato consequente do despertar. Após acordarmos da distração que dante nos envolvia, não podemos permanecer parados, olhando a continuidade de práticas equivocadas. O despertar filosófico, tem que nos levar ao engajamento, ao compromisso em prol de mudanças em favor de uma ambiência histórico social que propicie a vivência integral da pessoa humana. Não podemos encerrar nosso despertar nas desafiadoras leituras de textos personalistas. Temos que aceitar o desafio provocada na prática da leitura e partir para a ação que ela nos incita.
Sabemos que a decisão não é fácil, ela naturalmente nos levará à confrontos - primeiro consigo mesmo, posteriormente, com ideias, coisas e pessoas. Ademais, nenhuma ação deve ser tomada sem orientação.
Apesar da dificuldade de se tomar decisão, decidir em prol da ação, sempre será a opção mais correta, pois agir é imprimir uma marca pessoal na história, é fazer parte dela, é dar liberdade criativa à peculiar vocação de pessoa humana, ou seja, vocação de comunicação, de interação, em uma palavra, de participação. Negar a ação, é negar-se a si mesmo, é negar a nossa condição de pessoa, vivendo uma aviltante existência demissiva, em que negamos o nosso fermento para construção do histórico e progressivo pão de cada dia, se bastando na alimentação de fatias ainda não ideais do progresso histórico, fermentada pelo notável esforço e ação de muitos.
Não estamos sós, ainda existem pessoas que vivenciam a sua condição natural de artífice, sem esquecer que toda a ação, é fecunda, toda ação, provoca uma reação. Mesmo no aparente isolamento de nossos esforços, lembramos com Mounier que “a história recompensa aqueles que se obstinam e que um rochedo bem situado corrige o curso de um rio”.(1)
Lailson Castanha
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(1) MOIX, Candide. O pensamento de Emmanuel Mounier. São Paulo, Paz e Terra: 1968.
Apud. MOUNIER, Emmanuel. Les Certitudes dificiles, 286p.
Gravura: Obras personalistas editadas em língua portuguesa
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Jean Lacroix, Emmanuel Mounier e Jean-Marie Domenach

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