Emmanuel Mounier (1905-1950) e sua filha Anne

Espaço para difusão da filosofia personalista de Emmanuel Mounier e para ponderações de vários temas importantes, tendo como referência essa perspectiva filosófica.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O sentido dramático da condição humana.*

O sentido dramático da condição humana.*
Emmanuel Mounier

Se a situação fundamental do homem é o estar rodeado e solicitado, eis aqui, no coração de meu sentimento do mundo, uma certa alegria existencial que nega o desespero absoluto da alma contemporânea. Mas essa reconciliação com vida e com homem não nos arrasta a fáceis otimismos. É impossível negar, sem cair na ilusão, que este mundo está rachado e obscurecido, que parece se aliar contra a razão à medida que a razão o penetra, que as significações últimas deste processo se nos escapam, que a união entre os homens tem desaparecido, que se tem acentuado a inclinação que nos conduz a nós mesmos, que o homem se escraviza com seus próprios gestos de libertação, que se prende com todos os seus desejos, se obscurece com suas próprias luzes, que poderíamos hesitar em definir se o retrocesso ou o progresso é a lei da história. Em tudo que somos em tudo que fazemos a angústia se amálgama com alegria, a malícia, com a boa vontade, o nada, com o ser. Este sentido dramático da condição humana nos distancia de vez das soluções totalitárias, que conduzem a um desespero absoluto- desembocando em um desprezo essencial do homem -, e no outro extremo, das utopias idealistas. Esse sentimento é a mola dos mais ricos dos temperamentos revolucionários: o que se presta generosamente ao homem para que este seja generoso, o que nutre o desespero para não pedir em demasia a bondade automática das coisas e das pessoas, e que carrega um sentimento demasiado vivo da habilidade comum e das dificuldades comuns para não ceder ao fanatismo. (Emmanuel Mounier)

Tradução livre: Lailson Castanha

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Fonte:
MOUNIER, Emmanuel. ¿QUÉ ES El PERSONALISMO?; traducción de Edgar Rufo; prólogo de Emilio. Buenos Aires: Komar. Edicione Criterio S.R.L, 1956.
Gravura: Guernica de
Pablo Picasso. Representação das misérias produzidas pelo bombardeio alemão contra a cidade basca de Guernica, na Espanha, em apoio ao General Franco, que não tinha a cidade sobre o seu domínio.
* O título não é do autor. Foi colocado apenas para identificar a postagem no blog Ponderações personalistas.

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