Emmanuel Mounier (1905-1950) e sua filha Anne

Espaço para difusão da filosofia personalista de Emmanuel Mounier e para ponderações de vários temas importantes, tendo como referência essa perspectiva filosófica.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Alberto Guerreiro Ramos e a pessoa negra.

O sociólogo Guerreiro Ramos nascido na cidade Baiana de Santo Amaro em 1915 e morto na cidade norte americana de Los Angeles no ano de 1982, foi um pensador fortemente influenciado pelo filósofo francês Emmanuel Mounier e pela filosofia personalista de sua inspiração. No ano de 1966, Guerreiro deixou o Brasil fixando residência nos Estados Unidos da América.
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Guerreiro Ramos tinha como um de seus temas principais a ressalva de ser o negro uma pessoa humana, e como tal, um ser humano, que por sua constituição, comum a todo o ser humano, jamais deveria ser figurado com esteriótipos que o desvincule da sociedade humana como um todo. Ramos, procurou separar as ideias que se fazem do negro, da efetiva pessoa negra, do negro real, ou seja, do negro pessoa humana. Com isso, destacou a existência figurativa do negro tema, aquela figura alvo de especulações acadêmicas, da genuína vida do negro, a saber, o negro real, o negro personagem existencial que no dia a dia constrói a sua pessoalidade. O sociólogo baiano defende a ideia de que a minoria branca brasileira na ânsia de se identificar com a estética branca europeia, trata o negro como um tema, para que, na figura de observador, se separar definitivamente do objeto de estudo que rejeita, tentando com esse distanciamento, reafirmar sua identidade branca.
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Além de lecionar em várias universidades no Brasil e no exterior, e de escrever numerosos livros sendo esses traduzidos para vários idiomas, Guerreiro Ramos também participou da política partidária brasileira, tendo sido deputado federal pelo Rio de Janeiro, além de ser membro da delegação brasileira na ONU.

Lailson Castanha
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3 comentários:

  1. Olá Lailson, Gostei do seu Blog, conversei com você no encontro de Mounier lá na usp. Não conheço Guerreiro Ramos, que matriz política ele seguiu? Ele tem influência na área acadêmica ou é um sociólogo esquecido?
    Obrigada!
    Ana

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  2. Companheira Ana, saúde.

    Me lembro de você - conversamos nos corredores da FEUSP.

    Guerreiro Ramos foi assessor de Getúlio na época de seu segundo mandato. Foi partícipe dos quadros do PTB no ano de 1960.
    Ramos defendeu a nacionalização do petróleo e da industria farmacêutica.
    Em 1961, foi membro da Delegação do Brasil à Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU).Em Guanabara em sua candidatura a deputado federal em 62, numa aliança entre PTB e PSB, consegui apenas a segunda suplência, assumindo efetivamente ao posto, apenas em 63 – em 64 teve os seus direitos políticos cassados.

    Não podemos falar que Ramos não foi valorizado. Se a valorização de sua obra não é percebida no Brasil com muita clareza – no exterior, essa falta de clareza se dissipa. Mas, mesmo no Brasil, o sociólogo russo, Pitirim A. Sorokin, na década de 56, o apresenta como um dos grande pensadores que promoveram progresso da sociologia nesse país.
    No exterior, se radicou nos Estados Unidos da América, onde, como professor da Escola de Administração da Universidade do Sul da Califórnia, foi bastante influente. Teve também, vários de seus livros e artigos traduzidos em várias línguas.
    Deu conferências em Pequim, Belgrado e na Academia de Ciências da União Soviética, foi também conferencista visitante na Universidade de Paris em 1955. atuou na Yale University como professor visitante e também na Wesleyan University em 1927-73.

    Como percebemos, Guerreiro Ramos não passou em branco.

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  3. Obrigada Lailson, realmente não o conhecia, interessante saber que teve influências também no exterior.
    Legal a divugação no seu blog, vou acompanhando!
    até mais.

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